Em Florianópolis, a combinação de morros graníticos e planícies costeiras cria um cenário onde cada terreno conta uma história geológica diferente. O que observamos com frequência são muros antigos, executados sem investigação, que começam a apresentar trincas, deslocamentos ou embarrigamento depois de duas ou três temporadas de chuva. Não é coincidência. A ilha tem índices pluviométricos que ultrapassam 1.500 mm anuais, concentrados em eventos de alta intensidade, e isso muda completamente o comportamento de um solo não saturado. Antes de definir a geometria ou a armadura de uma contenção, é preciso entender como a água se infiltra no maciço local. Um ensaio CPT fornece um perfil contínuo de resistência de ponta e atrito lateral, permitindo identificar camadas de baixa capacidade de suporte que muitas vezes passam despercebidas em sondagens tradicionais.
Em Florianópolis, um muro de contenção bem projetado não é o que resiste ao solo seco, mas o que sobrevive à saturação completa em um evento de chuva extrema.
