No ano passado acompanhamos a implantação de um edifício corporativo de 15 pavimentos na região central de Florianópolis. A sondagem SPT indicava impenetrável a 18 metros, mas o projetista precisava dos parâmetros de resistência do solo residual de granito para dimensionar as fundações profundas. Foi nesse momento que o ensaio triaxial entrou em cena. Extraímos amostras indeformadas do horizonte de solo maduro e as submetemos a três níveis de tensão confinante no laboratório. O resultado: uma envoltória de Mohr-Coulomb bem definida, com intercepto coesivo de 15 kPa e ângulo de atrito de 32 graus. Esses números permitiram reduzir o comprimento das estacas em 2,5 metros, gerando economia real na obra. Em cidades como Florianópolis, onde a geologia varia drasticamente entre o maciço cristalino e as planícies quaternárias, o ensaio triaxial não é um luxo técnico — é a única forma de obter a coesão efetiva e o ângulo de atrito que os modelos constitutivos exigem. Complementamos essa investigação com sondagens SPT para mapear a estratigrafia, e com ensaios de granulometria para classificar o material conforme a ABNT NBR 6502:2022.
A envoltória de resistência obtida no triaxial é o dado de entrada mais importante para qualquer análise de estabilidade ou dimensionamento de fundação em solo insaturado.
