Florianópolis, assentada sobre depósitos sedimentares quaternários com lençol freático a menos de 1,5 m de profundidade em boa parte da ilha, exige uma abordagem geotécnica específica para obras subterrâneas. A execução de túneis em solo mole aqui enfrenta camadas de argila orgânica mole, areias fofas saturadas e lentes de conchas que complicam a escavação. O risco de instabilidade da frente e recalques superficiais é crítico. Por isso, a campanha deve incluir ensaios CPTu para perfil contínuo da resistência de ponta e poropressão, e ensaios triaxiais para obter a envoltória de resistência em condições não drenadas. O comportamento do maciço é fortemente influenciado pela maré, e ignorar essa variável compromete qualquer modelo tensão-deformação. Nossa análise integra dados de campo e laboratório para definir o método construtivo seguro, seja NATM com enfilagens ou shield pressurizado.
Em solos moles saturados de Florianópolis, a resistência não drenada e a permeabilidade definem a viabilidade do túnel antes mesmo do primeiro metro escavado.
