Quem trabalha com fundações em Florianópolis sabe que a diferença entre o aterro hidráulico do Aterro da Baía Sul e o maciço cristalino do Morro da Cruz não é apenas visual — é sísmica. Enquanto no primeiro as ondas compressionais se propagam abaixo de 800 m/s nos primeiros metros saturados, no segundo ultrapassam 2500 m/s já na zona de rocha sã. A tomografia sísmica de refração/reflexão resolve essa ambiguidade com imageamento contínuo 2D do subsolo, essencial numa cidade onde a espessura de sedimentos quaternários varia de 5 a 35 metros entre bairros como Canasvieiras e o Centro. O método registra tanto as ondas refratadas criticamente na interface solo-rocha quanto as refletidas em camadas de baixo contraste de impedância, algo que a sísmica de refração convencional perde. Para obras onde a estratigrafia muda em poucos metros, essa resolução faz diferença entre cravar estaca na rocha ou errar a profundidade por 6 metros.
A tomografia sísmica entrega um perfil contínuo de velocidade onde a sondagem mecânica só vê um ponto — em terrenos graníticos fraturados da Ilha, isso evita extrapolações perigosas.
